Canal do Varadouro de Caiaque: A Rota de SP e PR

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Canal do Varadouro de caiaque: A Conquista de uma Rota Lendária

Finalmente, atravessamos o tão sonhado Canal do Varadouro de caiaque!

Saímos do vilarejo de Ariri em direção à Vila Fátima, um pequeno povoado caiçara já no lado do Paraná. Mas antes necessária a passagem pelo Canal do Varadouro, um canal artificial feito em 1950, para ligar os Estados de SP e PR. O nome Varadouro se deu pelo fato de que esse trecho de 6 km de terra, era “varado” pelas canoas, isto é, carregadas por terra de um lado ao outro, dificultando por demais os transportes das cargas e produções dessa região do Norte do Paraná para Cananéia, que era o porto de escoamento. A abertura foi uma vitória desejada por mais de 100 anos, mas logo se perdeu sua relevância comercial, pois logo em seguida a BR116 também foi construída, e os transportes migraram para o rodoviário. O Canal do Varadouro continuou essencial para as comunidades caiçaras e ribeirinhas que por lá já haviam se instalado. Foi incrível!

Após mais alguns quilômetros, chegamos à Vila Fátima. Nossa parada para almoço foi na casa do Sr. Aníbal, onde saboreamos ostras, camarões e peixes pescados por ele e seus filhos – inclusive o polêmico Baiacu! (Para quem não sabe, esse peixe exige limpeza com extrema experiência, pois uma glândula tóxica pode ser fatal se for rompida. Felizmente, saímos todos vivos! )

O difícil foi voltar a remar com a barriga cheia! Após 8 horas no total e quase 42 km, chegamos ao vilarejo de Poruquara (ao lado de Guaraqueçaba). A chegada no lusco-fusco teve um desafio extra: fomos atacados por uma esquadrilha de mosquitos. A Fabi, que é alérgica, teve um susto, mas passou bem graças ao anti-histamínico que estava sempre à mão. Banho tomado, mais uma moqueca no jantar e fomos “capotar” na cama, pois o dia seguinte prometia mais aventuras!

Descobertas Históricas e o Espetáculo da Bioluminescência

No segundo dia, o destino era Guaraqueçaba. Antes de chegar lá, fizemos uma parada fascinante em uma ilha no manguezal, que escondia um sambaqui.

Diferente da antiga ideia de que sambaquis eram apenas “lixões” de povos coletores, este local, devido à erosão, revelou restos mortais e artefatos de um povo que habitou nossa costa há até 8 mil anos. Estudos recentes mostram que essas construções de conchas guardam um profundo significado, revelando ritos religiosos de uma cultura que desapareceu, misturada ou eliminada por migrações indígenas. Uma experiência que traz a história viva, na prática!

Seguimos para Guaraqueçaba utilizando o “Furado”, um caminho labiríntico e lindo entre os manguezais.

Na cidade, almoçamos e tivemos um susto: o Flávio, nosso amigo médico, teve uma reação alérgica severa a um “traço” de camarão em seu prato. Corremos para o hospital e a situação foi controlada rapidamente com anti-histamínico e corticoide. Ufa!

Por conta do atraso, saímos mais tarde, o que nos presenteou com um pôr do sol maravilhoso. E, com a noite caindo, tivemos outro espetáculo: a bioluminescência dos plânctons, que brilhavam nas pás a cada remada. Foi a primeira remada noturna da Fabi, um momento marcante e memorável que tenho certeza que ela nunca esquecerá.

Neste passeio de ida e volta para Guaraqueçaba, percorremos mais 25 quilômetros. Deixamos um agradecimento especial ao casal Caratuva e Andréa (@vivoguaraoutdoor), que nos guiaram durante todo o dia.

Salto Morato e a Confraternização de Canoístas

O dia seguinte foi de folga das remadas para um passeio: o Salto Morato, reserva ecológica mantida pela Fundação Boticário em Guaraqueçaba. A logística foi complexa, mas divertida, feita com novos e antigos amigos, utilizando barco (batera) e Van.

Guiados pelo Caratuva e Andréia, aproveitamos o Salto, com tempo para lanche e boas conversas.

No retorno para Poruquara, a noite foi de celebração. Tivemos um jantar especial com outros participantes do Encontro de Canoístas Paraná-São Paulo (PR&SP). Um grupo heterogêneo, unido pela paixão pela canoagem. De barriga cheia, fomos descansar, pois o próximo dia reservava a remada de volta, com quase 40 km.

O Retorno Triunfante pelo Canal do Varadouro de Caiaque e a Celebração da Amizade

No dia de retornar, saímos cedo, às 8h, em direção à Baía dos Pinheiros. Ali nos despedimos do casal Caratuva e Andréia (@vivoguaraoutdoor), que são mais que guias, são nossos amigos.

Com o grupo animado, o ritmo acelerou. Paramos em Vila de Fátima para lanchar e, em seguida, atravessamos o Canal do Varadouro de caiaque novamente. Ao final do Canal, era visível a divisão das margens entre Paraná e São Paulo.

Chegamos em Ariri após 6 horas e 45 minutos. O céu azul e o vento leste na chegada reforçaram a sensação de que a experiência foi sensacional, não só pelas belezas naturais e o desafio físico, mas, principalmente, pela camaradagem e o grupo formado desde o primeiro dia.

Agradecemos imensamente a Mauro, Carla, Massimo, Tati, Ângelo e Flávio por terem compartilhado momentos tão especiais conosco (Fabi e eu).

Cansados, encaixamos uma última parada em Iguape antes de subir a Serra para São Paulo. Com Tati, Massimo e Flávio, desfrutamos de uma pizza em frente à Basílica. Um fechamento com chave de ouro para uma expedição inesquecível!

Com esse trecho, podemos dizer que já fizemos de Iguape a Guaraqueçaba de caiaque!!


Nossa expedição pelo Canal do Varadouro encerra a última etapa dessa aventura, mas a história completa começou antes! Se você perdeu o início da jornada, convidamos você a explorar os trechos anteriores e acompanhar a evolução da remada:

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